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Como eram os antigos cinemas de rua de Salvador, principais points culturais do século XX

Como eram os antigos cinemas de rua de Salvador, principais points culturais do século XX

Como eram os antigos cinemas de rua de Salvador, principais points culturais do século XX
Como eram os antigos cinemas de rua de Salvador, principais points culturais do século XX (Foto: Reprodução)

No início deste mês, o Cine Excelsior, localizado no Pelourinho, em Salvador, voltou a ser debatido na capital baiana. A Câmara Municipal planeja transformar o espaço no novo plenário da Casa, mas esbarra em problemas estruturais. O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito para apurar o risco de desabamento do imóvel, em dezembro. Principais points dos soteropolitanos no século XX, os cinemas de rua sofrem com as intempéries do tempo e, em muitos casos, com o descaso. Antes de serem chamados de 'cinemas de rua', eles eram apenas cinemas. Afinal, sequer existiam outras possibilidades de assistir aos filmes, em uma época em que shoppings e streamings não sonhavam em existir. Espalhados sobretudo pelo Centro Histórico de Salvador, esses espaços ajudaram a definir hábitos culturais e transformaram ruas e praças em locais de encontro e lazer ao longo do século XX.As primeiras experiências com o cinema na capital baiana aconteceram ainda no fim do século XIX, dentro de teatros e casas de espetáculo. Em 1897, aconteceu a primeira exibição cinematográfica em Salvador, no Teatro Polytheama, já que a cidade ainda não possuía salas de cinema. Naquela época, os filmes não tinham som. O historiador Daniel Rebouças, doutor em História pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) lembra que o cinema chega a Salvador dividindo espaço com apresentações musicais, comédias e o teatro de variedades.

"As salas fixas de cinema passaram a existir em Salvador a partir de 1910. O primeiro mais importante foi o Cinema Bahia, que ficava na Rua Chile. Ele dura uns dois anos, mas era um teatro já voltado para esse empreendimento, com o objetivo de segmentar em torno de um público mais de elite", explica. A primeira rua da cidade, naquela época, também era a mais importante do Brasil.

Entre esses endereços, o Cine Guarany ganhou destaque. Localizado na atual Praça Castro Alves, o espaço se consolidou como um dos principais cinemas da cidade e, décadas depois, deu origem ao Cine Glauber Rocha. "Não foi por acaso que o Guarani foi construído ali; aquela região já era um ponto de circulação cultural”, afirma o historiador. Outros surgiram e ficaram marcados na história, como o Cine Jandaia, Glória, Excelsior, Aliança, Pax e Tupi. O Excelsior, inaugurado em 17 de abril de 1935, ocupando o lugar do Cine São Jerônimo, foi o primeiro cinema católico da Bahia. Pertencente à Congregação Mariana de São Luiz, o espaço foi fundado pelo frei Hildebrando Kruthaupse, e tinha como objetivo arrecadar recursos financeiros para a manutenção da ação evangelizadora dos franciscanos, em Salvador.

Mais do que locais de exibição, os cinemas de rua tiveram papel central na formação cultural da cidade. Nas décadas de 1950 e 1960, esses espaços também se tornaram ambientes de debate e mobilização. "O cinema de rua foi também um espaço de atuação cultural e política de jovens, sobretudo, na década de 50, 60. É quando começa a ter as primeiras produções cinematográficas baianas e a ascensão do Cinema Novo", acrescenta Daniel Rebouças.

O declínio começou a partir da segunda metade do século XX, com mudanças urbanas profundas. Com o deslocamento do centro financeiro em direção ao vetor norte de Salvador, especificamente para as áreas do Iguatemi e Tancredo Neves, o centro antigo sofreu um esvaziamento e os cinemas de rua se enfraqueceram.Jornal Correio .

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