'Esse dia eu não vou esquecer nunca': Jair Ventura celebra permanência do Vitória na Série A
'Esse dia eu não vou esquecer nunca': Jair Ventura celebra permanência do Vitória na Série A
Mais uma vez, na bacia das almas e contra números, estatísticas e prognósticos, o Vitória desafiou a lógica e saiu vencedor. Sem derrotar o São Paulo desde 2016, sem jamais ter vencido no Barradão em uma rodada final de Série A e ainda dependente de tropeços de rivais diretos, o rubro-negro exorcizou antigos fantasmas e garantiu sua permanência na elite.O principal nome dessa nova façanha é o técnico Jair Ventura. Ele assumiu o time na 17ª colocação, com apenas 22 pontos em 24 rodadas, e transformou o desempenho da equipe: foram 55% de aproveitamento nos últimos 14 jogos, construindo a 10ª melhor campanha do returno e conduzindo o Vitória à salvação.Alvo de desconfiança e rotulado por alguns como “retranqueiro” ou “sem ideias ofensivas”, Jair preferiu não responder às críticas, mas fez questão de lembrar do peso do próprio currículo, que agora inclui cinco trabalhos de permanência após assumir equipes em situação de zona de rebaixamento — Botafogo (2016), Sport (2020), Juventude (2021), Goiás (2022) e Vitória (2025).
“Não tenho responsabilidade nenhuma em mudar e me preocupar com o que os outros pensam de mim. Tenho acessos, títulos estaduais, disputei a Libertadores já. Faço meu trabalho. Sei o que eu sou, sei do meu tamanho, não tenho assessoria para cavar nome. Sempre que tenho oportunidade, tento ajudar os clubes. São dez anos como treinador, fui efetivado no Botafogo para salvar do rebaixamento e levei para a Libertadores”, relembrou o comandante.“Agora deu certo mais uma vez aqui, mas o próximo passo é sobreviver ao estadual, porque eu sei como funcionam as coisas no futebol. Feliz por poder ajudar um clube a alcançar seus objetivos mais uma vez”, acrescentou.Ao falar sobre o jogo, Jair revelou momentos dos bastidores e destacou decisões cruciais durante a partida — como a saída de Camutanga, a manutenção do sistema com três zagueiros e o protagonismo de Baralhas, com quem já havia trabalhado no Atlético-GO. O treinador também detalhou o clima emocional antes do confronto.
“Os atletas são os protagonistas do jogo, os grandes responsáveis. Hoje eu acordei cedo, ansioso, estava tomando café, e um jogador meio pessimista veio falar que preferia pegar o Palmeiras porque a gente não ganha do São Paulo. Eu não sabia, já fiquei com uma pulga atrás da orelha. Rafael estava fazendo milagre. Cheguei no vestiário e acalmei eles. Na volta fizemos nosso gol com muita organização ofensiva”, comentou o treinador.Em seguida, destacou individualidades que tiveram papel decisivo. “Um dos meus melhores trabalhos na carreira, o Baralhas foi protagonista. A gente conseguiu um tricampeonato inédito juntos, um acesso e 15 vitórias consecutivas. Ele voltou a ser esse cara. Um herói improvável hoje. A gente fez um grande jogo. Tirei o Camutanga por causa do cartão. Zé Marcis fez um grande jogo, Willian Oliveira fez um grande jogo. Quando eu cheguei aqui ninguém queria ver eles”, relembrou.
“A vida é para quem faz diferente. A gente tem que ter convicção. Uma coisa que eu aprendi é a fazer aquilo que você acha que tem que ser feito. Todo mundo queria tirar os três zagueiros, mas dentro de uma convicção nossa, de um grupo que comprou nossa ideia, a gente fez o improvável”, destacou.
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